Momentos

Existem momentos
De retidão
De solidão
De reflexão
De adequação
De evolução
De solicitação
De contemplação
De perdão
De entendimento.
E principalmente
De agradecimento,
Como tem sido todos os dias
Mas hoje em especial
Muito obrigado
Copyright © Ivan Lacerda

Super Alsthom

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De vez em quando, sinto a necessidade de fazer uma limpa geral. Livrar-me de coisas que não uso mais, livros e revistas a serem doados e aquelas tranqueiras que vão ocupando espaço e fazendo com que a nova energia não circule. O bacana dessa faxina é poder reviver os bons momentos eternizados de alguma maneira, em fotos, bilhetes, dedicatórias ou criação. Apresento-lhes o Super Alsthom, um boneco que criei em 1988, ou seja, lá se vão quase 25 anos, quando trabalhava na área de projetos da CGEE ALSTHOM. Montei com sobras de obra e amostras de fornecedores, coisa de moleque e de quem tinha duas horas de almoço e todo o tempo do mundo. Já fazia a reciclagem quando ainda ninguém se preocupava em preservar o meio ambiente. Hoje tive que colar um dos braços e fazer uma nova base de apoio, mas o danado estava super conservado, numa caixa, junto à aranha para normógrafo e o jogo de réguas. Aos mais jovens, que não sabem o que isso, digite essa palavra pré-histórica no Google e vai descobrir. Esse singelo boneco, no fundo, representa um tempo extremamente feliz de 1985 a 1995. Uma década trabalhando com uma equipe maravilhosa que sempre deixa saudades. São tantos nomes, que prefiro não citar, sob risco de esquecer alguém. Ainda mais por me lembrar dos amigos apressados que resolveram projetar e ampliar o paraíso. Mas em especial, recordo do meu Pairola, ele ria muito quando viu o boneco pronto, justamente utilizando as suas tranqueiras que guardava, feito cão de guarda, sempre achando que um dia iria usar. Restaurado, o Super Alsthom agora faz parte da decoração do escritório, num local em destaque.

E a vida continua

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A vida é bela
Às vezes, nem tão bonita.
O fato é que ela
É única e também infinita

Aproveite o presente
Não sobrecarregue sua bagagem
Um passo por vez, tente
Estamos aqui só de passagem

De que vale viver só do passado
Feito obra empoeirada de museu
Nem todo erro é um pecado
E ser for, esqueça, já cometeu

Vamos lá, um passo adiante
Veja o que a vida lhe apresenta
Vamos rapaz, coragem, levante
Só vence a guerra quem luta, tenta

Um dia vai sentir o peso da idade
E refletir sobre a sua existência
A balança deve pender para bondade
Se não foi como desejava, paciência

Ninguém nasceu sabendo nem é perfeito
Quem sabe você acerta na próxima vez
Errar é humano, seja o que for tá feito
Erro mesmo é arrepender-se do que não fez

Se não encontra outra saída
Então que vá leve meu querido
A vida é chegada e partida
É voltar sem nunca ter ido

E se achou a porta estreita
Não titubeie, vá logo, entre
Na outra estão à sua espreita
E essa te levará ao novo ventre

E tudo começa como havia terminado
O fio da meada que um dia se perdeu
Lembre, ame o irmão ao seu lado
Que, aliás, quem sabe pode ser eu.
Copyright © Ivan Lacerda

Polindo palavras

Sempre tenho dificuldade em apresentar de uma maneira direta, as minhas obras. Amigos, alunos, novos leitores perguntam das novidades, ou o que já escrevi ou publiquei, então criei essa arte. Acho que funcionou! Caso tenha interesse em adquirir algum exemplar, entre em contato. Ou como diria Luiz Melodia, se está sem grana, “peça meu livro, querendo eu te empresto”.

Quanto custa?

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Quanto custa o sorriso inocente de uma criança?
E inventar uma história para ela dormir?
E estar ao seu lado, acompanhando o seu crescimento?
E ser um exemplo, um ídolo, um amigo para ela?
A abelha paga algo para sugar o néctar da flor?
Qual o preço de sentir o vento refrescando o calor?
Quanto cobra de direito autoral o Sabiá todas as manhãs?
Em quantas prestações devemos pagar a água que escorre serena nos riachos, rolando e polindo os seixos e ainda fazendo brilhar as escamas das piabas?
Qual o valor das nuvens, decorando o céu e nos trazendo sombra?
Que cartão de crédito, o platinum, o gold, você precisa para inspirar o ar? Que financiamento você usa para ver a lua brilhando ao lado das estrelas?
Você não precisa de fiador para sentar na calçada e conversar com seu amigo, irmão vizinho e falar das coisas da vida.
Não sei se você sabe, mas o mundo não está à venda.
As pessoas não têm preço.
Os animais não são produtos.
Aquilo que realmente importa não precisa de papel moeda.
Acontece sem ter uma etiqueta indicando o preço ou cobrando um mísero centavo. O amor verdadeiro é grátis.
É concentrado e com ação imediata.
Não precisa pagar frete,
Não tem que consultar o nome no SERASA,
Pois ao amor, nada disso importa.
O amor não faz questão de moda, marca, status ou sobrenome.
O amor não tem medida, serve para o gordo, magro, alto e baixo.
O amor não tem sexo, cor e credo.
O amor torce para o Corinthians, Flamengo, Palmeiras e até para o Ibis.
O Amor curte Beethoven, Bob Marley, Chico, Alceu, Metallica e Teló.
O amor é tão democrático e ecumênico.
O amor não escolhe estação.
Ele acontece na primavera, outono, inverno e no verão.
Também surge na Sé, Luz, Belém, Anhangabaú, Paraíso ou Consolação.
O amor não precisa de marketing,
Nem planejamento estratégico,
Não tem que gastar com mídia,
Nem se vê em Campanha do Governo.
O Amor não se preocupa em atende às regras de defesa do consumidor,
O Amor é a melhor invenção do mundo.
Com a memória é curta, vou refrescá-la, o amor é de grátis.
Ele cabe em qualquer vaga,
Nem precisa deixar um trocado para o flanelinha.
Não polui o meio ambiente,
E se for dirigir, não tem problema,
Não tem coisa melhor do que dirigir amando.
Você não liga para o trânsito e a distância encurta.
O amor é tão eficiente que ainda faz bem para a pele e o cabelo.
Por isso eu indico,
Ame, mas ame muito.
Sem moderação.
Copyright © Ivan Lacerda

Tem culpa eu?

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Tem culpa eu?
Desse eterno atolar em lama.
Tem culpa eu?
Se falta assunto e a futilidade esparrama.
Tem culpa eu?
Se o vazio em volta está lotando a paciência.
Tem culpa eu?
Se ando meio descorçoado dessa cadência ou decadência?
Tem culpa eu?
Se abunda garimpeiros fecais.
Tem culpa eu?
Se exijo mais, mas muito mais.
Tem culpa eu?
Se gosto das músicas do Tom e da Elizeth
Tem culpa eu?
Se natureza me atrai mais que a internet
Tem culpa eu?
Se há escassez de cultura e farta malícia.
Tem culpa eu?
Nossa, se eu te pego, delícia…
Tem culpa eu?
Se o tempo acelerou e o fôlego acabou.
Tem culpa eu?
Se acho mais legal Telecatch do que UFC
Tem culpa eu?
Dessa eterna falta do que “fazê”.
Tem culpa eu?
Se visito mais as prateleiras dos escritores clássicos.
Tem culpa eu?
Se não me preocupo em rimar proparoxítona.
Tem culpa eu?
Se dessa fruta eu como o caroço e até o resto.
Tem culpa eu?
Se não tem o meu livro. Peça, querendo te empresto.
Tem culpa eu?
Se não curto FUNK, PUNK e DRUNK.
Tem culpa eu?
Se banana é palavra universal.
Tem culpa eu?
Se fujo de piranha e gosto de pescar piau.
Tem culpa eu?
Se o pescador têm dois amor. Um bem na terra, um bem no mar.
Tem culpa eu?
Se uso havaianas a Rider.
Tem culpa eu?
Se gosto mais do saci pererê, boitatá a esse tal de halloween enlatado.
Tem culpa eu?
Se o Chanel 5 dá náusea e prefiro cheiro de capim molhado.
Tem culpa eu?
Se prefiro jogar botão a PSP.
Tem culpa eu?
Se digo: “Valei me Deus, Crê em Deus Pai, Saravá!”
Tem culpa eu?
Se prefiro tutu à mineira a “caviá”.
Tem culpa eu?
Se a minha vontade não rima com liberdade.
Tem culpa eu?
Se tenho saudade de um tempo que não vivi.
Tem culpa eu?
Se eu perdoo mais do que sou perdoado.
Tem culpa eu?
Se cometo todo dia um bocado de pecado.
Tem culpa eu?
Se bebo água a veneno
Tem culpa eu?
Se dou mais trabalho ao neurônio do que ao duodeno.
Tem culpa eu?
Se em vão tento enxergar a outra face da lua.
Tem culpa eu?
Se sempre atravesso na faixa da mesma rua.
Tem culpa eu?
Se quero mudar ao redor ao deixar tudo parado.
Tem culpa eu?
Se prefiro o toque ao clic, “tá ligado?”
Tem culpa eu?
Se prefiro chamar beija-flor de cuitelinho.
Tem culpa eu?
Se golfe e golfo me enoja e pelo golfinho tenho carinho.
Tem culpa eu?
Se o sangue errou de veia e se perdeu.
Tem culpa eu?
Se aqui você chegou e tanta frase leu.
Diga-me, uma vez por todas: Tem culpa eu?
Tudo bem se nada você entendeu.
Ao menos, antes de me mandar para PQP,
Uma coisa queria “sabê”, tem culpa eu? Pode “respondê”?

Adeus a Madalena

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Pode parecer estranho ter uma perereca como animal de estimação. Mas há quase dois anos adotamos a Madalena, uma simpática anfíbia, que vivia escondida em nossa sala, na parede, atrás do quadro de Jesus, logo acima do lago das carpas. Na verdade ela que nos adotou. Como vivia acolhida e protegida pelo Mestre, batizamos a pererequinha de Madalena.  Passamos a cuidá-la e dedicar quase que a mesma atenção que damos a Nina, nossa cachorra vira-lata que também nos adotou. Mas a personagem principal dessa crônica é a Madá. Esse era o jeito carinhoso que a chamávamos. Os amigos mais próximos, ao nos visitar, logo iam olhar se a Madá estava atrás do quadro. Todos conheciam a Madá e ficavam encantados com a presença dela e por ter se acostumado com o ambiente. À noite, todo cuidado era pouco, fechar a porta, só se antes, tivesse a certeza que a Madá não estivesse no vão. Algumas teias de aranha perto do lago eram deixadas de propósito para servirem de alimento para a Madá, e ainda assim, ela fazia a limpa nas paredes, caçando os seus insetos preferidos. Mas a idade chega para todos, e tinha que chegar para a Madá. Não sei ainda ao certo quanto tempo vivem as pererecas, os mais engraçadinhos, dirão que em torno de 12 anos, mas estou aqui falando de um anfíbio real. Alguns meses atrás a Madá caiu da parede, e quebrou a perninha traseira. Nós ficamos muito tristes, pois imaginávamos que ela não teria mais condições de caçar o próprio alimento e por consequência, morreria de inanição. Quantas e quantas vezes eu tive que pegar bichinhos, pernilongos e outros insetos e colocar ao seu lado para que pudesse comer. Madá ficava imóvel, e ficou assim por meses. Algumas vezes até achei que ela estivesse morta, mas que nada, ela estava em completo repouso para regenerar a sua perna. E para nossa alegria, um dia ela saiu pulando de novo, como se nada tivesse acontecido. A vida é muito louca, nos pegamos aprendendo até com um anfíbio. Às vezes temos que nos colocar em completo repouso, estático, quieto no nosso canto, refletindo qual a melhor solução a ser tomada. E a Madá nos ensinou que temos que nos regenerar, reciclar, renovar e seguir adiante. Mas como disse, o tempo passa e passou para a Madalena, ontem a tarde ela resolveu dar um mergulho no lago. Vai ver que era o seu sonho. Vai ver que se apaixonou pela Carpa Ronaldo, vai ver que pensou que fosse também um peixe. Ou sei lá o que ela pensou, mas nós a encontramos dentro do lago, estática, da mesma forma que fazia quando sua perna estava quebrada. Eu como não sou expert em anfíbio, posso até ser em perereca, mas não manjo nada do anfíbio da família Hylidae, eu percebi que a Madalena tinha morrido. Ainda na dúvida, afinal ela era danada para nos enganar e fingir de morta, nós a deixamos em repouso a noite toda no seu cantinho preferido. Mas hoje cedo tivemos a certeza que ela morreu. Não sei se afogada, se de velhice, se de amor pela carpa. Só sei que ficamos muito tristes e a mim restou o papel de enterrá-la com honras da casa, debaixo da chuva, ao lado de um belo exemplar de Samambaia Açu. Pode até parecer estranho, mas a Mada vai deixar saudade, afinal foram quase dois anos de convívio, aprendizado e respeito.

 

Rio de Fevereiro, Rio da alegria

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É muito triste, mas do jeito que a coisa anda, com a omissão do Estado, com o eterno levar vantagem dos políticos e por que não dizer, dos chamados “cidadãos”, assistimos atônitos ou anestesiados, feito idoso em asilo, cenas que parecem superproduções catastróficas de Hollywood, mas que para nossa vergonha, são reais. Cenas de tragédia na Cinelândia, e não tem como não se lembrar da maior tragédia do país, nas cidades de Teresópolis, Nova Friburgo, Petrópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto, na Região Serrana do estado. Agora eu pergunto: Que estado é esse? Tão lindo, tão feliz, tão alto astral, tão acolhedor, nosso cartão postal. Mas tudo de trágico acontece em Janeiro, fico triste que o Janeiro do nome seja sempre lembrado pelas tragédias. Talvez a solução mais simples, e claro, mais cômoda para os políticos demagogos que estudaram na escola de Odorico Paragassú seria, mudar o nome do estado para Rio de Fevereiro. Quem sabe assim, tudo estaria resolvido. E nós brasileiros, não passaríamos tanta vergonha. Pois está provado que a história se repete, e mais de 500 anos depois, o Cabral como comandante também está perdido e sem rumo. E pra ajudar, o Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa, precisa de um líder que enfrente as coisas de peito aberto e não de “costas”, o Rio pede PAZ e não PAES.

Pinheirinho

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Desmatamento antes era de árvores nas florestas
Desse meu Brasil Brasileiro e do mulato inzoneiro.
Agora inventaram o desmatamento de gente,
Para especulação imobiliária e pelo dinheiro.
No Amazonas derrubam árvore para colocar gado.
Em São Paulo desmatam a espécie: Favelado.
Nas terras dos Nahas não tem Yanomami
Nas terras dos Nahas tem gente morta.
E em breve algum desavisado de São José
Vai receber feliz a chave para abrir a Porta.
Feita de madeira de lei e de calote público.
De uma obra escorada pelo pau do Pinheirinho.
Pelo cacetete da polícia e bala perdida.
Esse é o Brasil feito de gente que só quer levar vantagem.
País do desmatamento e da pastagem.
Terra da grana fácil e da esperteza.
E ainda dizem que país rico é país sem pobreza.
Deviam mudar logo esse slogan desatualizado.
E assumir que país rico é país sem favelado.

Adaptação da letra Haiti de Caetano Veloso.
“E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante do desmatamento do Pinheirinho.
7 mortos indefesos, mas mortos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos”

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