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Estou vivendo uma nova fase, relembrando, estudando e buscando transmitir aos alunos a experiência profissional e da minha breve vida. Eis que me vejo estudando os 4Ps do Marketing e um monte de outros 4. Daí decidi falar dos 5Cs. Mas especificamente os 5 Chicos do Brasil. Só mesmo um país tão abençoado como o nosso pode se orgulhar, e claro, no bom sentindo, de ter em nossa terra os 5 Chicos. Para seguir uma ordem lógica, vou respeitar a alfabética. E daí me vem à imagem única de Chico Anísio, seguramente um dos maiores artistas de todos os tempos. Um homem multifacetado, criador de personagens inesquecíveis, de uma generosidade imensa com os novos talentos. Só quem assistiu Tieta nas telas do cinema e viu aquele velho surgindo no meio daquele sertão agreste sabe o que eu quero dizer, como síntese de um grande artista. Chico Anísio passou recentemente por uma batalha e mostrou que temos que lutar com todas as forças pela vida. Que essa experiência aqui na Terra é importantíssima para a nossa evolução espiritual. Daí eu logo quebro a regra alfabética e decido lembrar um Chico Espiritual, um homem único, de uma humildade a toda prova. De uma força incrível, apresentada num corpo tão frágil. Claro, falo de Chico Xavier, um espírito iluminado, que durante sua trajetória, só semeou a paz, o amor e a fraternidade. Consolando e auxiliando os mais necessitados. E sem receber nada em troca. A renda dos seus livros transforma-se em peixe e pão e alimento para o espírito. Um exemplo de que a solidariedade humana é sem sombra de dúvida a maior de todas as religiões e tão necessária na vida como o ar e a água. E por falar em ar, basta um pouquinho de aprendizado e sensibilidade para saber que o nosso ar depende das árvores. E temos a maior de todas as florestas, e quem era o protetor da Amazônia? Claro, tinha que ser um Chico. O grande Chico Mendes, homem simples e sábio. Um grande exemplo de vida e de luta. Uma referência mundial em se tratando de meio-ambiente, assunto que só agora é tido como importante. Chico Mendes era mais conhecido fora do país pela sua coragem do que por nós brasileiros. Acabou sendo assassinado covardemente. Seu sangue e as lágrimas do povo do Acre, dos índios e das árvores escorrem misturando-se as bacias hidrográficas da Amazônia. E como uma coisa leva a outra, olha eu falando de água, e como não se lembrar do Velho Chico, aquela imensidão que banha o povo sofrido do nordeste. A natureza pródiga, a água de um rio salvando vidas e trazendo alento e esperança. Um rio repleto de diversidade de histórias e significados. Um rio cantado e verso e prosa, na literatura por Guimarães Rosa, mostrando a viagem de Riobaldo, entre a margem direita do bem, de Deus e a esquerda do mal. em Grandes Sertões Vereda. No cinema, e principalmente na vida real de quem necessita molhar as palavras com água. E já que toquei na questão das palavras, eis que se faz presente a imagem de Chico Buarque de Holanda. Que na verdade é o Chico Buarque do Brasil. Pra mim o maior compositor da nossa história. O homem que consegue extrair das palavras, a textura, o sabor, a sonoridade, o sentimento. Que consegue em suas canções transformá-las em fotografias. Um mágico das palavras, um ilusionista do coração. Considero Chico Buarque a árvore mais frondosa do nosso país, que nos dá sombra, nos alimenta. Sua obra é tão imensa, que é difícil demais não se repetir e ele vive se redescobrindo, até como escritor. E vai uma dica, caso não tenha escutado o seu último trabalho, ouça Sinhá. Em pleno ano 2011 ele retrata uma situação de séculos passados com tamanha poesia que até eu me sinto penalizado por através da música, também ver a Sinhá. Há algum tempo desejava homenagear mesmo que de maneira singela os 5 Chicos do Brasil. E se Deus me permitir uma nova estadia aqui no Brasil numa outra encarnação, só vou pedir duas coisinhas. Claro, continuar Corinthiano e ter o nome de Francisco, ou simplesmente, Chico.
